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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A MANSÃO DOS MORTOS VIVOS (por André Honey)


Jesus Franco nos brinda em La Mansión de los Muertos Vivientes (1985, ano em que Lloyd Kaufman lançava seu The Toxic Avenger e começava a erigir o império Troma) com o que de melhor têm os filmes sexploitation dos anos 70 e 80: violência e, é claro, sexo. Rodado num cronograma muito próximo ao do clássico “Macumba Sexua”l, inclusive repetindo alguns atores e cenários, o mestre do "horrorótico" se mantém firme, e aqui faz jus à alcunha que deram aos seus filmes na gringa. Dizem erroneamente que é um remake da série de filmes Blind Dead, do espanhol Amando Ossorio. Semelhanças sim, mas não um remake.
Esta peça rara foi filmada integralmente nas Ilhas Canárias (Franco de volta à Espanha num bom filme, depois de tanto rodar Europa afora), valendo-se basicamente de duas locações: um hotel turístico e um monastério antigo. Narra a saga de quatro amigas (dadas ao lesbianismo, com certeza) que vão de férias a uma praia do Sul através de uma agência de turismo.
Ao redor da desértica espelunca onde estão hospedadas, um local abriga uma estranha seita religiosa, de monges meio-mortos sedentos por rituais sanguinários tipo Inquisição. Carlos, o proprietário do hotel, tem uma prisioneira secreta com quem mantém uma bizarra relação de puro sadismo. E dá-lhe bondage! Tudo é pretexto para algo que os francófilos já bem conhecem: nudez desnecessária, closes faciais (ele adora isso) e assassinato; nesta ocasião é um choque com uma divertidíssima atmosfera. É como o próprio diretor gosta de dizer: "Não faço filmes bons e nem pretendo fazê-los: faço filmes para divertir". Este filme é um barato!
Tem Lina Romay (foto) interpretando Candy sob o pseudônimo de Candy Coster. Para os fãs da moça, uma informação importante: ela aparece totalmente peladona (não imaginava?)! Em dado momento, Candy descobre outra hóspede presa à uma cama num quarto escuro, comendo com as mãos e se emporcalhando como uma criançona, totalmente nua e destruída. Puta cena. Carlos, o chefão, decide levar comida para sua amada prisioneira secreta após uma semana de jejum, numa bandeja, carinhosamente, mas envena o prato sob a vista de sua moribunda alemã selvagem com mata-ratos e inseticida. A degustação deste rango é espumante. Bela morte! O que esperar? Franco e D'Amato sempre usam da mesma receita.

Quem se exalta com o universo sexual voluptuosíssimo que tão bem estes dois diretores criam, já sabe o que esperar. E é um dos bons! Tudo tão desnecessário e divertido como sempre, num clima parecido com os bons W.I.P do vovô, como “Sadomania” e “99 Mulheres”.
Mas não temos nada gore desta vez e o desenrolar do enredo também fica em segundo plano. Sempre curto os espaços utilizados por Jesus. Seus cenários são quase sempre um ponto forte. Com seus parcos recursos financeiros, ele parece sempre driblar este problema situando suas histórias em locais inusitados e interessantes, geralmente alguma paisagem paradisíaca qualquer do Velho Continente.

O lançamento em DVD pela Severin Films nos Estados Unidos é a primeira versão uncut que chega nas Américas, por enquanto única opção para quem quer ver o filme com a qualidade original, com formato e áudio preservados. Quem sabe esta belezinha não seja lançada pela Trash Collection aqui no Brasil? Só uma ressalva! Não se deixe levar pelo título. O filme não tem nem mansão e nem zumbis!


Título original: La mansión de los muertos vivientes
AKA: Mansion of the Living Dead (EUA)
Ano: 1985
Direção: Jess Franco
Roteiro: Jess Franco
País: Espanha

Lina Romay... Candy (como Candy Coster)
Antonio Mayans... Carlos Savonarola (as Robert Foster)
Mabel Escaño... Mabel
Albino Graziani... Marleno


* enviado pelo cinéfilo André Honey

Um comentário:

daufen bach. disse...

que coisa maravilhosa esse blog!
quanta informação, quanta cultura...estão de parabéns os organizadores!

abraço forte e, de novo, Parabéns!

daufen bach.