SIGA O MEU BLOG

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

M.I.N.T.O (Linn Falcão)

Minto, às vezes minto sem querer
Minto por pura vaidade, por doce prazer
Minto e o faço  às vezes porque quero
Minto porque não se pode ser sempre sincero.

Minto pra de repente me salvar
Minto pra poder um sonho sonhar
Minto e quando é isso que se espera
Minto uma mentira bem sincera
Minto até  a hora de se acordar.

Dizer a verdade e ver o “bicho que dá"

Minto como uma antecipação da realidade
Até  transformar minha mentira em verdade
Minto às vezes dizendo verdades
Noutras digo verdades mentindo.

Minto pra não sentir saudades
Para haver sempre verdades fluindo
E ao dizer que te amo, estou mentindo
Porque é muito maior o que estou sentindo.

Minto porque o ser humano é assim mesmo: sem certeza
O que é feio pra uns, pros outros é  rara beleza.

Minto mas é sem crueldade
E muita gente vai ser feliz se a minha mentira um dia
Virar verdade.

* Linn Falcão é poetisa, diretora, atriz de Teatro e membro do Cia. Gruttateatral 
 Site: www.ciagruttateatral.com

-------------------------------------------------------

BIOGRAFIA CULTURAL:

Linn Falcão dirigiu e atuou nas peças: "O Formigão e a Gatinha" de Elizeu Miranda, "Conto de Natal" de Ricardo, "Rio de Muitos Janeiros Atrás" de Molini, "O Santo Inquérito"(esquete) de Dias Gomes, "Maria dos Milagres" de Molini, "Os Três Porquinhos" de Elizeu Miranda, "Mais Tarde Será o Mundo" de Luis Carlos S.Jr., "A Mulher Sem Pecado" de Nelson Rodrigues, "O Auto do Lampião no Além" José Gomes, "Apaga a Luz e Faz de Conta Que Estamos Bêbados" de Ronald Radde; "Boca de Ouro" de Nelson Rodrigues, "O Santo Inquérito" de Dias Gomes, "Os Três Peraltas na Praça" de José Valuzzi, "Fefê e Pipoca 2" de Júlio Venâncio, "Bonitinha, Mas Ordinária" de Nelson Rodrigues, "O Beijo no Asfalto" de Nelson Rodrigues. 
 
Ganhou o prêmio especial do júri do 26º Festival da Fataerj-2003 e o prêmio de melhor figurino no Festival do Rio-2007 por, respectivamente, "O Santo Inquérito" e o "Beijo no Asfalto".

 Escreveu também as peças de teatro: "Quando entrar setembro", "Muito além do celeiro", "O destino dos anjos", "O punhal de duas pontas", "A Resistência", "Não Posso Morrer Sem Você e Estranho Amor"; o conto: "Faço Isto Por Ti e Não Por Mim"; e o roteiro para média metragem, "O Cheiro da Noite".

Um comentário:

Fabiana Cruz disse...

Realmente, todo ser humano de forma voluntária ou involuntaria tende a dissimular, fingir emoções, sentimentos e pensamentos. Finalizando MENTIR, de certa forma para não magoa o próximo ou garantir a sua própria sobrevivência na sociedade.
Belissimo poema que retrata como é o ser humano.