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terça-feira, 22 de dezembro de 2009

IMPRESSÕES (Tamyris Torres)


Na praia antes do sol se pôr eu olhava o mar
Mais ninguém sabia que estava lá
Olhei por horas e horas e não dei
as atenções devidas na chamada do celular.


Elas se repetiram por alguns minutos
Era gente de todos os lugares que costumava frequentar
Estava querendo chover
O céu ficou nublado, mas depressa tudo voltou a ser como era antes.


O céu azul e o mar da mesma linda cor
Meninos surfando
É tão interessante como eles parecem esquecer da vida
Como se não tivessem problemas
Já me disseram que problemas é a gente quem faz
Então o melhor é deixar para lá.


Deixar o barco correr ou a prancha boiar
Se eu já tentei de tudo e está faltando isso, acho que está na hora de eu testar
Teste comigo e você não já está
Teste de paciência, até comigo eu vou tentar.


A areia ficava gelada
por causa da água fria que batia contra o meu corpo
Como quem queria retirar algo estranho
posto ali na frente da beleza que todos admiravam com a certeza de que iam para casa encontrar
a família ou parte da sua alma que estava a lhe esperar.


O vento podia alcançar
os cabelos, mas só sentia as lágrimas colarem no rosto meio entristecido
Ou sei lá o quê
As pessoas não estavam lá
Não tinha com quem encontrar.


Até poderia ver uma das poucas pessoas que tem algum apreço
mas as coisas não andavam bem para telefonar
Olhava para os lados e encontrava
o asfalto quente e uma pracinha onde os adolescentes se encontravam para flertar
Flerte na minha época era motivo de se apaixonar.


Paixão pega fácil
Quando vê você já está
O amor, esse sim já dura custa o que custar
Passa por qualquer coisa é só bastar se vê amar
E até mesmo quando não pode perdurar
e o tempo a contar
passa mesmo devagar.


Resolver entrar no mar já não era de se espantar
Seria algo rápido e nada a declarar
Talvez ninguém visse e a decisão pudesse mudar
Um breve banho para acalmar
Dormir de vez numa cama quente e dura
sem sonhos para sonhar.


O cheiro é algo que se guarda mesmo sem querer
Fica entranhado e a mente logo quer penetrar
O do pescoço é ouro e é algo a que não se pode disfarçar
Se eu quero e você quer porque não tentar?
Eu tinha recebido avisos que não seria fácil aturar.


O que me basta é escrever e desembuchar
Escrevo aqui o que meu coração não quer guardar
Final de dia e o expediente já não vai mais deixar
eu imaginar uma praia e a noite com o seu luar.


*Tamyris Torres é jornalista e fotógrafa (Rio de Janeiro/RJ)






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