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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

MARIA DE LOURDES (a fadista de Viseu)


Desde a lendária cantadeira Maria Severa, nascida em Lisboa, no início do século XIX, no bairro da Mouraria, muitas músicas, narrativas e personagens embalaram a história do fado, música popular portuguesa. Não demoraria muito para este ritmo chegar em terras de Santa Cruz...

Numa tarde de domingo, do último mês de janeiro, reunida com alguns amigos, estivemos na Casa de Portugal, fomos assistir a gravação de um programa de televisão luso-brasileiro, foi divulgado à presença de vários fadistas e música ao vivo - principal motivo de nossa ida.

Existem artistas que me fascinam, me comovem, a primeira audição, sempre foi assim – fiquei encantada com a interpretação da fadista Maria de Lourdes, um portento, que eu não conhecia.

Uma voz quente, delicada e melodiosa.

Logo, meu faro de pesquisadora musical - sempre movida pela curiosidade - quis saber mais sobre a carreira da artista. Em seguida, tomei conhecimento que ela nasceu na cidade de Viseu, em Portugal. Em 1956, ainda menina chegou ao Brasil acompanhada de sua família.

Já mocinha começou a cantar profissionalmente. Atuou na TV, shows e em restaurante típicos da Paulicéia. Ao longo de sua carreira percorreu todo o Brasil, Portugal e outros países.

A sua voz verseja ao cantar todas as canções que compõe seu repertório, neste espetáculo na Casa de Portugal, interpretou músicas lusas que embalaram os ouvidos dos presentes: Canção de Viseu, Ternura dos quarenta, Quadras Soltas (com versos de Fernando Pessoa) e Farrapeira. O acompanhamento contou com excelentes músicos, as violas e guitarras trinaram divinamente...

Maria de Lourdes também gravou alguns comerciais, como do tradicional Óleo Maria, popular produto lançado em 1942, por José Batista Duarte, no rótulo da embalagem tem a impressão da conhecida personagem: uma típica portuguesa de nome Maria.

A fadista também ofereceu o ar da sua graça no cinema nacional, tomou parte do filme Verde Vinho – romance de um imigrante, de 1981, com direção de Manoel Gama.

Curiosamente, nesta película, foi inserida uma cena do filme português Maria Papoula, de 1937, onde a atriz Mirita Casimiro canta Canção da Papoula (Raul Ferrão / José Galhardo). Mirita é natural de Viseu, nasceu em 1914, estreou na revista Viva a folia, em 1935. Foi casada com o ator Vasco Santana.

É uma pena que as associações luso-paulistanas não promovam comumente espetáculos assim, de caráter popular, presenteando o público com esses fantásticos fadistas radicados na nossa cidade.

Desejo que a Maria de Lourdes continue a brilhar e a cantar suas belas músicas, tão representativas do cancioneiro popular português, pelos céus do Brasil. Tenho certeza que todos que tiverem a sorte de escutá-la ficaram admirados com sua voz e simpatia, como eu fiquei.

Salve o fado!

*Thais Matarazzo é historiadora da nossa Música Popular Brasileira

SP, 14/2/2010

Um comentário:

tanatus disse...

Algarves, Em Cantos e Fados
(Phillipe Öyiivän Velásquez (tanatus) - 07/09/2008)

Ó Algarves, te pululam tantos fados!
E em tantos versos perfumados,
Vais-te em amendoeiras,
Num campo vivo!...Enfeitiçado!
E vais-te, assim, em brancas neves!
Refulgindo no ocaso...

E pululas eternizado!
Nesses tão poucos versos...
E vais-te todo, tão bem, entrelaçado
A outros versos, nesses fados!
E vais-te, cinzelada pintura!
Fulgida em vasos raros...

Ó Algarves!...Vais todo alquebrado!
Porém, te salta um verso eternizado!
Um lamento de outro tempo!
Que muito se curva nesses fados...
Bem te é, esculpido fulgor!
Todo imerso no acaso...

As paixões te cobrem esses versos!
E lá distante, toda a arena
Faz-se branca, em brancos fados!
Faz-se em ti, todo o caso,
Desses versos embebidos!
Em vinhos doces!...Vinhos raros!

Ó Algarves, refulges todo enlevado!
E por entre as amendoeiras,
Vais-te tão altaneiro!...Apaixonado!
E vais-te, todo eternizado!
Em tão bela história de amor!
Que tanto cantam esses fados...

xxxxxx

"A Alma de Portugal repousa no FADO"
tanatus