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segunda-feira, 3 de maio de 2010

TAÇAS ESCASSAS (Lucia Miranda)


Taças escassas para vinhos borbulhantes
Cintilantes, gotejantes, espumantes
O quê fazer?

Lágrimas esparsas derramadas de lembranças
apaixonadas e delirantes
Como perder, omitir e esquecer?

Às esfuziantes festas regadas em cascatas
de vinhos, música, convidados, cores
E aos esplendores agitados, de gotículas
Dos muitos e muitos champanhes.

Taças repletas de bebidas
Vazias..

Peças e pratinhos desertos
dos patés, foies, gruniéres, galantines
Mousses e champignons,

E entre a euforia incessante e barulhenta
Se deslocam (antes que esquentem...)
Coloridas garrafas de Perignons
Moets, Clicquots, Montrachets,

Mas agora, nesse preciso instante
Aonde foram todos
E o que é preciso para os reaver?

Taças desertas em salões vazios
Fugidios ecos dissonantes
Que quem sabe, fugiram, escaparam, se esconderam
Tudo foi banido, esquecido, em vão
Senão, quem sabe
Omitido, apagado
E num modo inteiramente tonitruante
Bem esmagado no fundo da minha mente
Soterrado, silente, isolado
Bem no fundo do meu coração.

*Lucia Miranda é psicóloga e poetisa

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