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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O ÓBVIO ULULANTE Andreia Aparecida S. Donadon Leal-Deia Leal - Mestranda em Literatura, Cultura e Sociedade pela UFV

Falando em aniversários de instituições culturais, de pessoas comuns, de famosos; esses com direito a uma tremenda propaganda nos jornais, em colunas sociais de revistas; por exemplo, a RevistaGontigo! publica continuamente festas de famosos; casamentos de milionários, etc., mas de gente famosa que está em evidência. 

Nada contra, esse é o marketing da revista e de muitas outras. Tudo depende do interesse mercadológico e midiático, de temas atuais e de interesse; escândalos também dão excelentes notícias em jornais e telejornais. Acidentes de grande dimensão, da natureza ou cometidos pelo homem, às vezes, ficam semanas no ar ou estampados nas páginas dos jornais. É só lembrar-se da tragédia das chuvas na região serrana do Rio de Janeiro. 

De manhã, de tarde, à noite, de madrugada, todos os dias, a televisão acompanhava ao vivo, com repórteres que corriam freneticamente, em busca de “algum furo” jornalístico. Também nada contra! Os jornais devem transmitir e informar à população sobre as ocorrências no mundo. A informação é crucial para todos, sem sombra de dúvida. 

Às vezes, no entanto, há exagero, dramatização, apelação, ou perguntas indiscretas de alguns repórteres que entrevistavam sobreviventes (os que perderam a família inteira na tragédia) – Como você está se sentindo? A resposta era óbvia no rosto do entrevistado; óbvio ululante, claríssimo, gritante, insofismável. A pergunta do repórter, óbvio ululante revigorado de estupidez, de indelicadeza e da mais rebaixada parvoíce.  

Outra notícia que gerou discussões e grande mídia foi o anúncio da aposentadoria do “fenômeno”, conhecido por todos como Ronaldo. O menino prodígio fez sucesso no exterior e no Brasil, sua contribuição para o esporte ficará na história. Ronaldo aposentou-se jovem. Informou que sente dores constantes nas articulações e tem dificuldades para emagrecer, por causa de disfunção tireoidiana – o Hipotiroidismo.  

Algumas pessoas ironizaram a atitude do atleta, dizendo que era desculpa esfarrapada. Médicos também afirmaram que bastava tomar medicação (nesse caso – a tiroxina) sintética que repõe ou complementa o nível do TSH no sangue. Disseram ainda que o uso contínuo do remédio, não apresenta efeitos colaterais. Explicação insossa!  

Eu tenho Hipotiroidismo há oito anos. Tenho dificuldades para emagrecer; tenho dores nas articulações, durmo mais do que antes e o nível de TSH está normal.  Direito de ele se aposentar; pois ninguém melhor do que ele, para saber das limitações e mudanças ocorridas em seu corpo, por causa dessa doença crônica. 

O tratamento para quem tem Hipotiroidismo é tomar remédio o resto da vida. Não acredito que o hormônio sintético não apresente efeitos colaterais, ou que sua ação seja igual a do hormônio produzido naturalmente pela tireóide.    

Mais um assunto que dá ibope é o Big Brother Brasil. Não só altos índices de audiência e de faturamento com propagandas, merchandising, cobranças de tarifas de telefonemas para eliminar os emparedados; mas também xingos, lamentações, torcidas, adorações e aborrecimentos de telespectadores. Para a maioria dos participantes do programa, fama passageira, e para pouquíssimos, entrada para o mundo das celebridades. 

O BBB está na 11ª edição. As regras do reality show são conhecidas. Os escolhidos ficam “trancafiados” em uma casa cumprindo provas e tarefas, de preferência as que possam incluir marcas famosas de produtos para o merchandising. Algumas são banais, outras mais apertadas, como por exemplo, as provas do líder que testam resistência física.  Os famosos brothers ficam expostos vinte e quatro horas por dia, às câmaras da Rede Globo, e ainda têm que aprender a conviver com pessoas de hábitos e costumes diferentes, sob o mesmo teto. Para mim, essa é uma grande prova de resistência.  

O BBB está comemorando onze anos de óbvio ululante. É assunto nos jornais, na televisão, nas revistas, na internet, na boca do povo. Muitos telespectadores não gostam, mas há pessoas que adoram e ficam à espera do programa diário; do anúncio conhecidíssimo de Pedro Bial – Sejam bem-vindos ao BBB11! Ou da famosa frase – Vamos dar aquela “Espiadinha”, ou seja, o ato de buscar prazer ao bisbilhotar a vida de outras pessoas.   

E você poderá espiar à vontade, sem dor na consciência, a vida de pessoas comuns ao vivo (com permissão delas, é claro), ao invés de ficar espiando escondido, a vida de seu vizinho ou dos outros. Há os que optam por não assistir ao reality show. Há ainda, os que acreditam, ou são influenciados por outros, que a televisão está passando mau exemplo para os jovens. 

Os brothers não mostram algo que ainda o telespectador desconheça ou com que nunca tenha convivido. Briga, bate-boca, disputa pelo poder, problemas de relacionamentos, mentiras, traições, amores, paixões, escândalos, festas, tudo isso faz parte da vida. Não vivemos no mundo das delicadezas, da igualdade, da amizade, da fidelidade e da justiça (apesar de ser necessário)... A sociedade é competitiva desde o nascimento do mundo e isso é fato.

A cada ano, mais se evidencia que o óbvio venha mais revigorado de realidade, pois sabemos (sem hipocrisia) que o conteúdo do programa não causa estragos a ninguém, pois tão óbvio ululante como o BBB11 é a realidade, sem cortes e maquiagens. 

Não duvidem: o BBB não causa prejuízo a ninguém, pois expõe apenas a realidade nua e crua; as mazelas e os desatinos da vida, os problemas de relacionamentos, a competitividade que eu, você, enfim, o ser humano vive diariamente no trabalho e no mundo, com um diferencial: o mundo da convivência amplificado pela espetacularização. Essa é a maior prova de fogo e exemplo: a convivência do dia-a-dia, dando espetáculo.

E para quem não gosta do programa, o óbvio ululante é desligar a televisão, mudar de canal, ou melhor, ler um livro.

Andreia Aparecida Silva Donadon Leal, de nome artístico ANDREIA DONADON LEAL– Poeta, contista e cronista. Formada em Letras pela UFOP, Pós-graduada em Artes Visuais – Cultura & Criação, Mestranda em Literatura–Cultura & Sociedade pela Universidade Federal de Viçosa. Diretora de Projetos Culturais do Jornal Aldrava Cultural. Membro da Academia de Letras do Brasil-Mariana; da Academia Feminina Mineira de Letras; da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais. Autora dos livros: Ventre de Minas – Ventre III (poesia – 2009)Nas Sendas de Bashô- Quase! (2005)Cenário Noturno (poesia - 2007); Aldravismo: uma proposta de arte metonímica (2009); Flora – amor e demência & Outros Contos (2010). 


Vencedora de diversos concursos nacionais de crônicas, contos e de poesia.Participou de exposições internacionais na Espanha, Itália, Áustria, Polônia, Alemanha, República Dominicana, República Tcheca, China, Tailândia, Hungria, Eslováquia, Chile, França, Portugal.

4 comentários:

AFRICA EM POESIA disse...

AMigo

ALMA



Ter alma é ter vidas
Ter alma é sentir vida
Sentir Amor
Sentir o bater do coração


E ao sentir...
A vida...
O amor...
E o bater do coração...


Temos a certeza
Que a vida existe
E a alma está viva
Alma que não vê
Mas que sentimos...


E sabemos que realmente
Ao ter alma
Temos mesmo vida
E devemos arriscar
Para sermos felizes...


LILI LARA

shantall disse...

soh pra constar...
eu leio!

L. Rafael Nolli disse...

essa é mesmo a sociedade do espetáculo de Guy Debord. Sem dúvida!
Abraços!

Celylua - O blog das Letras disse...

Agradeço de coração a visita e o seguimento ao blog das letras.
Também já estou seguindo seu blog, rsrs.
Gostei da sua postagem, parabéns!
Deus abençoe você e sua família.
Desejo a você um ótimo final de semana.
Beijo no coração.
Cely.