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terça-feira, 26 de março de 2013

MOTO' N ' ROLL

Motos e Rock’n’Roll são dois símbolos do inconformismo, da rebeldia e da contestação. Por isso se dão tão bem. Andam lado a lado em loucas aventuras estradeiras, nos shows “full time” em que se transformam todos os encontros motociclísticos (onde o hino oficial é sempre “Born To Be Wild”, do Steppenwolf) e na simbiose poderosa de energia que faz motores, corações, mentes, guitarras, contrabaixos e baterias pulsarem no mesmo compasso. 


Foto de Irving Penn


 Manifestações de rebeldia dos jovens, umas mais calmas outras mais radicais, sempre aconteceram. Um movimento surgido no final da década de 40 nos Estados Unidos, após o término da Segunda Guerra, era do tipo radical e gerou a formação das primeiras gangues de motoqueiros, os chamados moto-clubes. 
Eram grupos de jovens que se reuniam para descarregar a adrenalina em andanças sem destino, arruaças, brigas, bebedeiras (verdadeiras orgias alcoólicas) e baladas movidas a muitos e variados “ingredientes”. 

As motos usadas por todas as gangues eram (e são até hoje) as Harley Davidson, de grande porte e cilindrada, possantes e intimidadoras, máquinas que acabaram se tornando o veículo oficial do movimento. 
Essas motos começaram a ser fabricadas desde 1903 e se tornaram uma lenda na indústria norte-americana durante a Segunda Guerra pelo seu bom desempenho e resistência em operações estratégicas realizadas nos terrenos difíceis das zonas de combate para onde foram enviadas. Todo jovem aventureiro sonhava (e ainda sonha) ser dono de uma.

Essas gangues foram ficando cada vez maiores e mais agressivas em suas atitudes e provocações à sociedade. Infernizavam as cidades por onde passavam detonando tudo, as leis, as autoridades, subvertendo todas as regras e convenções e provocando pânico nas pessoas pacatas e provincianas, que se trancavam em casa quando ouviam o ronco dos motores anunciando a chegada daquelas hordas de encrenqueiros.

Fazendo História

O grupo mais famoso e temido de todos foi formado por jovens californianos e se chama, não por acaso, “Hell’s Angels”. Essa “marca” foi inspirada no nome de um esquadrão da força aérea norte-americana – o “Hell’s Angels Bomber B-17 Group” –, que realizou 364 missões de ataque e despejou 26.346 toneladas de bombas sobre os alvos inimigos. Imagine a cabeça desses caras quando voltaram pra casa. Existe até uma história afirmando que o grupo de motoqueiros foi fundado por ex-integrantes do esquadrão, mas isso não é verdade. Talvez alguns deles estivessem entre os fundadores.

Mas, não foram os mentores da idéia.
O “HAMC – Hell’s Angels Moto Club” foi fundado em março de 1948, em Fontana, na Califórnia, onde começava a ferver o caldeirão da revolução cultural. Eles foram os pioneiros e os primeiros a interagir com o mundo do rock, fazendo a segurança dos shows (uma forma de assistir de graça e ainda faturar algum) de bandas que começavam sua caminhada na estrada da fama (Greatfull Dead e Grand Funk foram duas delas). Até hoje são considerados os mais ousados, audaciosos e violentos. Há facções e grupos afiliados espalhados em quase todos os países do mundo.

Suas histórias mais incríveis estão contadas no livro intitulado “Hells Angels”, do jornalista Hunter S. Thompson, resultado de uma série de artigos publicados na revista Rolling Stone. Para escrever esses textos sobre a vida e aventuras desses míticos motoqueiros, Thompson viveu dezoito meses numa comunidade típica da gangue participando de todas as suas atividades. No Brasil esse livro foi editado pela LP&M em formato pocket e pode ser encontrado nas bancas de revistas. Vale a pena ler.

HELL´S ANGELS
Hunter Thompson
Tradução de Ludimila Hashimoto


Lançado em 1967, no mesmo ano do Verão do Amor, Hell’s Angels foi o primeiro livro publicado por Hunter S. Thompson, então já bastante conhecido como jornalista. Trata-se de um retrato brutal e violento do ano que ele passou convivendo com a gangue de motociclistas que, talvez naquela época mais do que em qualquer outra, aterrorizava a sociedade americana com suas motos, suas jaquetas de couro pretas, seu desafio à decência pública e um histórico de crimes violentos envolvendo seus membros.

O texto de Hunter S. Thompson tornou-se um clássico por retratar in loco a materialização mais radical e violenta da ideia essencialmente norte-americana dos marginais que vivem fora das regras da sociedade, mas sobretudo por inaugurar o gonzo jornalismo. 
Em pleno desabrochar do novo jornalismo, com expoentes como Tom Wolfe, Gay Talese e Truman Capote aliando técnicas literárias ao gênero jornalístico, Thompson optou por inserir-se no evento a ser narrado. 

Como ele próprio definiu: "Eu havia me tornado tão envolvido com os foras da lei que não tinha mais certeza se eu estava pesquisando sobre os Hell’s Angels ou se estava sendo lentamente absorvido por eles".

Contato:
Jotta Santana
jottasantana@gmail.com
 



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