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terça-feira, 27 de julho de 2010

INVERNO NO CORAÇÃO (Paola Rhoden)



Naquela manhã particularmente fria do mês de julho, saí para o trabalho dentro de um pacote de roupas razoável. O frio era realmente enregelante e fazia todos saírem de casa tiritando. Apesar do gelo Porto Alegre estava uma lindeza. 
Céu azul puríssimo sem nenhuma nuvem e nem riscos, um sol aparecendo medroso, mas radiante, que alegrava os corações. É claro que o carro não funcionou e precisei ir a pé ao trabalho. 

De minha casa ao prédio onde ficava meu escritório era bem longe. Por isso apressei o passo e segui cortando caminho por praças e ruelas. Em frente o prédio de meu destino havia uma praça muito bonita. Sempre que podia ficava na janela de minha sala que ficava no décimo andar, olhando para ela. 

De cima parecia mais bonita ainda, porque os vislumbres de vida eram feitos por entre as copas das frondosas árvores que no verão davam uma sombra deliciosa. Mas agora no inverno era melhor contorná-las, o sol bonito, mas pálido, não dava calor suficiente para aquecer a quem passasse por baixo delas. 

Então fui pelas calçadas laterais o que percebi ter sido a decisão de todos que precisaram fazer o mesmo trajeto. Quando cheguei, precisei esperar alguns poucos carros dos felizardos que conseguiram fazer os motores funcionarem apesar do frio. Parei minha caminhada e fiquei olhando para os lados até poder atravessar a rua com segurança. Senti em meu braço uma mão que segurou com delicadeza.

Que susto! Instintivamente pulei para o lado e quase disse um palavrão. Mas era apenas um dos funcionários que também trabalhava no mesmo andar do prédio que eu. Reconheci sua fisionomia, mas não atinei com seu nome.

- Homem! Que Susto! – falei quase gritando.

- Guria! Nem tanto! Só quis lhe dar bom dia!

- Ah! Bom dia! É melhor aproveitarmos que os carros pararam.

E seguimos contornando os veículos. Ao chegarmos do outro lado continuamos juntos, mas mudos. No elevador ele disse:

- Tem algo para fazer hoje à noite?

Fiquei surpresa com a pergunta. Não éramos muito chegados, e apesar de nos vermos muitas vezes durante o dia, raramente conversávamos.

- Nada importante – respondi - comer um sanduíche, tomar um copo de leite, ver algum filme e dormir. Por que a pergunta?

- Recebi uma coleção de filmes históricos de minha irmã que mora no Rio de Janeiro, e gostaria de ter alguém como você, inteligente e pesquisadora para assistir comigo.

Dei um sorriso, mas não respondi logo. As portas do elevador abriram-se e saímos para o corredor já movimentado embora fosse bem cedo ainda.

- Então? Que me diz? – tornou ele.

Parei de andar e fitei o colega de trabalho, conhecido por vê-lo todo dia durante dois anos, mas que nem sabia seu nome. Então fiz a pergunta que selou nossas vidas:

- Como é seu nome?

Ele começou a rir, a rir muito, e o riso foi contagiante porque também passei a rir com ele. E ficamos os dois ali rindo e nos olhando até alguém perguntar qual era a piada tão boa. Estendeu a mão e apresentou-se galhofando:

- João Maria. Mas o pessoal de meu setor me chama de Joanim. Nem sei por quê. Não me pergunte.

Tomei sua mão e perguntei:

- Sabe meu nome?

- Claro. Faz já um bom tempo que tento lhe convidar para alguma coisa, como por exemplo, tomar um chá, comer uma torta, mas nunca me atrevi. Você nunca me deu chance.

Parados ali no corredor nessa conversa, deduzi que precisávamos falar mais a vontade, então propus:

- Vamos almoçar juntos hoje, e aí veremos no que dá.

- Ok! Faremos isso sim! Saímos às doze horas então.

Ele rodopiou nos calcanhares, deu um adeusinho com a mão e entrou em sua sala. A manhã passou rapidinha porque tinha montanhas de trabalho a fazer, e o frio sempre me convida a ser mais produtiva. Quando percebi alguém batendo de leve na porta, olhei para o relógio na parede e vi que era hora do almoço.

Vamos?

Saímos para a rua que já estava bem movimentada porque o frio amainara e o sol já aquecia. Fomos andando até o restaurante que ficava do outro lado da praça.

- Você nem sabe o quanto estou feliz por me convidar para esse almoço. – disse ele

- Ora! Fui convidada para assistir uns filmes em sua casa. Embora o conheça, este conhecimento é muito superficial. E para falar a verdade estou bem tentada a aceitar seu convite, pois gosto de filmes históricos, principalmente se são bem antigos.

- Então você vai gostar destes. São todos de histórias quase imemoriais. – e riu.

Ri também e isso selou nossa camaradagem, porque ficamos conversando até bem além do nosso horário, e quando chegamos estávamos os dois muito animados e felizes. Após o expediente saímos juntos e fomos até a casa dele para vermos os filmes. Desse dia em diante ficamos companheiros inseparáveis. 

Ele demonstrou ser um perfeito cavalheiro, agradável companhia e uma pessoa confiável. Quando foi que passou a ser namoro nenhum de nós sabe dizer. Só sei que quando percebemos estávamos marcando a data do casamento. 

Os preparativos duraram muito pouco tempo, porque não tínhamos muitas pessoas a convidar. Nem ele e nem eu. Parentes alguns poucos, amigos menos ainda. Só aí foi que percebemos: nós dois éramos pessoas isoladas do mundo. Com todas as letras. O dia do casamento chegou e os poucos convidados e parentes não ocupavam nem um quarto da pequena capela em que a cerimônia foi encomendada. Casamos. 

Quando a festa acabou fomos para o pequeno apartamento no qual decidimos morar. Era bem pequeno, mas aconchegante e agradável. Assim, sem lua de mel nem nada especial, nossa vida a dois começou.

Passaram-se onze meses.

Um dia percebi Joanim falando ao telefone com alguém e sua voz estava diferente. Mostrava alguma preocupação. Perguntei o que era, mas ele desconversou e me tomou nos braços, ergueu-me do chão e disse:

- Vamos fazer nossa lua de mel. Iremos a Cancun.

- Credo! A Cancun? Assim sem mais nem menos?

- É! Iremos neste final de semana.

Comecei a rir feliz pela notícia, mas sempre muito prática em tudo que faço em minha vida, perguntei:

- E dinheiro? Como faremos?

- Gastarei todas as economias de minha vida. Você merece. Minha esposa que eu amo mais que tudo.

Pensei que ainda éramos jovens e poderíamos economizar novamente, e na verdade a vida deve ser curtida quando se tem vontade. E dinheiro não é tudo, a felicidade sim. Viajamos. Em Cancum tivemos dias maravilhosos. 

No entanto percebi que Joanim ficava cada dia mais triste e cabisbaixo. No jantar da última noite de nossa estada, jantar oferecido pelo hotel aos hóspedes de partida, Joanim estava mais triste ainda. Cheguei-me a ele carinhosamente e perguntei:

- Meu amor, porque está tão triste?

Ele sobressaltou-se com a pergunta. Olhou para o mar que quebrava na praia e disse:

- Minha adorada! Está enganada. Estou muito feliz por estar aqui a seu lado, curtindo este mar, estas estrelas, este céu tão especial.

Mas enquanto ele falava, notei suas faces pálidas, e as olheiras que eram sua característica, e às quais já havia acostumado, estavam profundas e muito mais escuras que o normal. Embora os lábios sorrissem, os olhos tinham uma expressão de dor que não havia notado antes. 

Ele puxou-me para a praia em frente e enquanto caminhávamos, abraçava-me forte e seus lábios não paravam de beijar o alto de minha cabeça. Paramos a olhar o mar que ia e vinha derramando espuma na areia. Sentamos na areia molhada e seu abraço foi tão carinhoso e suave que me deixou sem fala. Seus olhos fixaram-se nos meus e ele disse:

- Querida! O mundo me reservou quase um ano da mais perfeita felicidade a seu lado. Sou imensamente feliz mesmo!

- Eu também!

- Que bom! Mas tenho algo a dizer, e não quero que fique triste, nem um pouco mesmo.

Calou-se por algum tempo, mas continuou.

- Há três semanas recebi a notícia de meu médico que estou muito doente.

Meus olhos ficaram arregalados. Doente? Eu no meu egoísmo feliz não notei que o mais perfeito homem do mundo estava doente?

- Não fique assim! Seus olhos não podem entristecer. Desde criança que tenho problemas com saúde, e agora meu organismo entrega-se a seu destino. Tenho apenas alguns dias de vida e por este motivo trouxe-a para este passeio. Quero que guarde em seu coração estes momentos que aqui passou comigo. Espero que sejam boas lembranças. De felicidade e não de tristezas. Combinado?

Fiquei arrasada. Chorei muito. Mas ele pediu-me:

- Nunca chore por mim. Nunca fique triste ao meu lado. Já basta a dor que sinto pela doença e por ter de deixá-la. Seja forte como sempre. É só o que lhe peço.

Prometi. No dia seguinte voltamos para casa. Precisei de todas minhas forças para levar a vida normal, sabendo que meu doce marido se deteriorava por dentro e me deixaria em breve. Mas não falava nem comentava nada com ele. Agia como se a vida estivesse tão linda como sempre. Era o combinado. 

E chegou o dia. Ele estava trabalhando normalmente de repente desmaiou. Os colegas me chamaram e o levamos ao hospital. Só para cumprir protocolos, porque na verdade tudo estava acontecendo como o esperado pelos médicos. Tomando minha mão nas suas ele disse:

- Perdoe-me! Gostaria de ficar mais tempo com você!

E faleceu. Chorei tudo o que não pude chorar enquanto ele estava vivo, pois havia prometido não chorar. Mas agora podia deixar sair o sofrimento. Os poucos parentes e amigos chegavam devagar. Eu olhava pela janela do quarto do hospital. Lá fora era inverno novamente. Há dois anos era inverno também naquela praça onde sua mão tocou meu braço suavemente.

Agora era inverno também em meu coração.


*Paola Rhoden é escritora e poetisa.

POESIAS DE ISABEL FURINI


TULIPAS
Lateja a vida nos meteoros das cores e das formas.
A  artista multiplica tulipas
no universo da tela,
e as flores alegram as retinas.



ROSAS
Na escuridão,
o abismo do amor
afunda
em rosas de ternura.


LUA NOVA

Sou a Lua Nova dançando no abismo,
sou minha própria sombra
entre flores de emoções e instintos,
lado oculto de meu eu
que finge ser estrela
e é só sombra da Lua batendo na janela.

Isabel F. Furini

ISABEL FLORINDA FURINI

Escritora, palestrante, poeta e educadora. É autora de “O Livro do Escritor”, da editora Instituto Memória de Curitiba.Mantém o blog Falando de Literatura no Bondenews

Conquistou o 1° Lugar no Concurso Estadual de Poesia de São José dos Pinhais/ PR.2002. 1° Lugar no 8° Concurso Internacional Missões de Poesia - Roque Gonzáles/RS–  2005. 2º Lugar concurso da revista Katharsis, Espanha, 2009. Também recebeu oito menções honrosas.


domingo, 25 de julho de 2010

SOU EU (Joziane Germano)



Eu sou alguém que necessita de dinheiro, mais tem medo do mau que ele pode
causar em uma vida.

Eu sou alguém que procura observar todos os ângulos, e calcular todas as
opções, e que mesmo assim, talvez por ser azarada, acaba sempre escolhendo a
opção errada.

Eu sou alguém que ama a vida, mais não recusa a morte quando esta é a única
solução para tantos problemas.
Porem eu jamais tiraria a própria vida ou qualquer outra. Desde que nunca
tirem a de quem eu amo.

Eu sou alguém temente a Deus, e de uma fé que até mesmo me surpreende.
Eu não vejo o lado positivo do que é ruim. Mais procuro tirar uma lição de
tudo que acontece.

Eu sou alguém que tem medo de perder quem ama. Por isso muitas vezes tenta
amar menos. Quase sempre sem sucesso.
Eu sou a pessoa que muitas vezes se senta no chão do seu quarto e fica
horas olhando para o nada. Só para sentir um momento real de paz.
Eu sou alguém que em uma noite de tristeza escreveu estas palavras, vindas
segundos antes na mente, enquanto também sem sucesso tentava dormir.

Eu sou alguém que procura um sentido na vida, e que não quer apenas deixar
acontecer.

E você quem é?

*Josiane Germano é poetisa

quinta-feira, 22 de julho de 2010

"A SALA DOS SONHOS" (Biblioteca Municipal Gentil Vieira da Silva / Machado-MG)

INAUGURAÇÃO

A leitura tem um lugar cada vez menor no cotidiano brasileiro. É lendo que adquirimos novos conhecimentos, é lendo que desafiamos nossa imaginação e descobrimos o prazer de pensar e sonhar.


Por todas essas razões, e conscientes das dificuldades com que a escola defronta cotidianamente, inauguramos no dia 08/07/2010, na Biblioteca Municipal “Gentil Vieira da Silva” uma sala especial, a qual recebeu o nome de “Sala dos Sonhos”.


 O objetivo é incentivar e despertar o gosto pela leitura. Atenderá especialmente os alunos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental do 1º ao 5º ano de escolaridade.


AGRADECIMENTO

Nós funcionárias da Biblioteca Municipal Gentil Vieira da Silva, agradecemos aos colaboradores que tanto contribuíram para que a “Sala dos Sonhos” pudesse funcionar.


A senhora Irmã Maria Olímpia Vilela do Colégio Imaculada Conceição quem doou estantes, arquivos e livros. 

Aos senhores: Superintendente do Departamento de Transito, Sr. Pedro Lima quem doou as tintas e mão de obra, ao pintor artístico Gustavo Anderson, aos que estiveram presente na inauguração: professoras e alunos do Colégio Imaculada Conceição e da Creche Vovó Iracema, a garotinha Rayssa pela narração do clássico A Bela Adormecida. 

A todos os nossos sinceros agradecimentos.


Obs: A “Sala dos Sonhos” é uma iniciativa das funcionárias da Biblioteca Municipal Gentil Vieira da Silva.
Fotos: Divulgação
Telefone: (35) 3295-6099

quinta-feira, 15 de julho de 2010

II EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL DA ARTISTA PLÁSTICA JOANA D´ARC DE PAIVA FREITAS

                                    CASA DA CULTURA


          Acontece neste mês de julho a II Exposição individual da artista plástica Joana Darc de Paiva Freitas, com as mais lindas telas florais, que enriquecem nosso ambiente, e  encantam os olhos de quem visita a Casa da Cultura.
          A Exposição estará aberta para visitação de segunda a sexta feira, no horário de 8:00 às 11:00h e das 13:00 às 17:00h, até o dia 30 de julho, na Casa da Cultura de Machado, à rua João Miguel da Silva, 64 – centro – Machado – MG.

          “A pintura é poesia sem palavras”, Voltaire.

          Aguardamos sua visita!

(35) 3295-6757

quarta-feira, 14 de julho de 2010

GOTAS DE CONFIDENCIA (João Roberto)

GOTAS DE CONFIDENCIA

Quem teve um amor passado,
traz sempre os olhos molhados
numa vida sem prazer,
toda cena é uma lembrança,
de um amor que em criança
nasceu e veio a morrer.
Amor jovem tem raízes,
e traz lembranças felizes
do nosso tempo passado;
faz algo mexer com a gente,
com sintomas tão frequentes
que deixam os olhos molhados.
São água que riscam o rosto,
traduzindo algum desgosto
ou uma história de amor;
são gotas de confissão,
partidas do coração
representando uma dor.
João Roberto poeta em Ilhota SC

quinta-feira, 8 de julho de 2010

CD "PIRATA (Mestre Jerônimo)

Pessoal...
Essa questao de "pirataria" (Cds, etc) eh uma faca de dois gumes. Deixa eu 'ladainhar' uma situacao que rolou ha anos atras... -- Ieeee....
Lembram o tempo que o Caetano Veloso 'reclamava do povo' dizendo que estavam desrespeitando o trabalho dele, etc, quando pirateavam suas obras, como a de outros...; daih, um cara 100% brasileiro tambem falou assim: pois eh, a gente ate que gostaria de comprar tudo o que vc/s produzem mas nesse preco que ta.... ; verdade seja dita, como pode o povo comprar um CD/DVD no preco que ta, inclusive, os alunos de Capoera quando um CD de um mestre capoerista pode chegar ate a $R40 reais?  
Daih, inclusive eu, e outros, falamos pros "caetano$$$" que ele deveria reclamar e julgar primeiro os donos das re-produtoras e outros que negociam o produto dele e ganham em cima dele, em vez de negar pro povo da cultura do povo. Pois o povo "caetano$$" nao tem condicoes nem de comprar farinha, em muitas partes do BR, como sabemos, imagina ter que ser obrigado a comprar o teu CD no preco que ta. Cuidado com a tua ignorancia na arrogancia que vc condena o povo... Caetano ?!
Sugestao pra melhorar o jogo: ja que vao piratear mesmo ! vamos sugerir, como ja fiz em alguns dos meus CDs, que mantenham a qualidade do que "pirateiam" e nao deixem de dar os creditos pra quem de direito... autoral!
Enfim, eu sou musico e vivo da minha arte, tambem, mas nao consigo me fechar num "mundinho" meu aonde eu nao tenho capacidade pra avaliar O JOGO pra REAL-lidade do que somos, e somente julgar o povo que pirateia. Ademais, a pirataria como eh falado existe porque oficialmente, !, se patrocinam e vendem os meios pra que se possa valer desta situacao. Enfim, acaba-se eh numa situacao de "falacao" que nao passa de uma hipocrisia e de desrespeito ao povo da parte de muitos, e do sistema que condena e eh o primeiro que ta devendo, pra classe dos artistas, etc.
Fernando, admiro a coragem da pessoa quando tem a capacidade de se assumir da forma que vc faz perante a esta situacao. Parabens, por ser uma PESSOA INTELIGENTE e que tem a capacidade de gerar (de tabela) pra divulgacao da industria fonografica, pros compositores, etc, divulgando o nosso trabalho e obras da forma que vc faz com teus alunos, etc.
Axe'!
Mestre Jeronimo  - 'Iconoclast JC'

quarta-feira, 7 de julho de 2010

AMEAÇAS AMEAÇADORAS POR TELEFONE (Autor: Antonio Brás Constante)

(O telefone toca).

-          Alô?

-          Escuta bem cara, nóis tamo com a tua filha aqui com a gente e se não rolar grana ela morre, sacou?

-          Filha? Que filha? Quiçá em outrora eu ainda tivesse uma filha, mas expulsei aquela delinqüente de minha residência e da minha vida há meses.

-          Não brinca, mané. Se tu não passar a grana, eu e meus mano vamo fazê ela. Tá me entendendo cumpadi?

-          Se vocês forem “fazer” ela, aconselho que tomem cuidado. Ela fazia ponto na esquina aqui de casa sabiam? Um escândalo. E este foi apenas um dos motivos pelos quais eu a expulsei daqui...

-          Então tá, ô esperto. Se tu não tem apego com a tua filhota, nóis vai acha tua esposinha e judiar dela. Que tal? Agora tu vai colaborar?

-          Se acharem, podem ficar com ela. Mas prometam que vão judiar bem dela. A ordinária fugiu com nosso vizinho Edward, levando todas as economias que tínhamos no banco, em conta conjunta. Eu nunca pude me vingar do que ela fez. Se pegarem os dois, posso até tentar arrumar algum dinheiro para vocês, mas tem que me garantir que vocês vão torturar aqueles desalmados com vontade.

-          Olha aqui Sangue bom, vamo fazê melhor então. Nóis vamo toca fogo na tua baiúca e ver se tu ri disso, que tal?

-          Prometem que fazem isto? Seria fantástico, já que a casa está no seguro. Se queimarem ela, que por sinal foi hipotecada pela safada da minha “ex”, vão estar me fazendo um bem enorme...

-          Malandro, tu ta tirando onda com a nossa cara. Saca só, nóis vai te pega e mete três azeitona nas tuas fuças, te borda na bala, tá ligado?

-          Eu... Depois de tudo que aconteceu, estava pensando em me matar mesmo... Só não tive coragem de cometer tal ato de suicídio, e aplacar esta dor atroz que esmaga meu coração... Vocês fariam isso por mim?

-          Caramba, Zé ruela! Tu não te sensibiliza com nada? A gente até ia desistir de te amolar, mas não podemo deixa barato assim. Vamo te que se vinga de ti cumpadi.

-          E como pretendem fazer isto, seus bárbaros execráveis e sem cultura? Façam o que quiserem. Sou um ser amargurado pela mordaz crueldade do destino. Um arremedo humano que não liga mais para nada...

-          Vamo vê se tu diz isto depois que a gente largar a “encomenda” aí no teu colo.

-          Que encomenda?

-          Tua sogra reclamona e teu cunhado bebum, seu mané. Nóis seqüestrou ele e a velha, mas não quis abrir o jogo logo de cara, pois achou que tu não ligava muito pros dois. Mas depois de passar um tempo com eles aqui no cativeiro, a gente se ligou do castigo que os dois são, e resolvemo entrega eles ai bunito, e é o que vamo fazê agora.

-          NÃO, eles não! Quanto dinheiro vocês querem para ficar com os dois?

-          Esquece brou. O lance agora é pessoal. Daqui a pouco tamo largando eles aí pra morar contigo.

-          Não, isso não! Tenham um pouco de humanidade, de compaixão, de clemência, por favor, Não! NÃO! NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO!


NOTA DO AUTOR: Os amantes da leitura agora dispõem de um excelente portal chamado: www.skoob.com.br, funciona como uma rede social (tipo orkut), mas com ferramentas de leitura, tipo: Estante virtual para cadastrar seus livros, histórico de leitura, resenhas, etc. Quem quiser participar vai encontrar por lá o meu singelo livro “Hoje é seu aniversário”, não esqueçam de adicioná-lo em suas estantes, ok? Quem quiser também pode me pedir uma cópia em PDF do livro, ou para fazer parte de minha lista de leitores, que recebem semanalmente meus textos, para isso basta enviar um e-mail para: abrasc@terra.com.br.

SOBRE O AUTOR: Antonio Brás Constante se define como um eterno aprendiz de escritor, amigo e amante da musa inspiração. Lançou recentemente o livro: “Hoje é seu aniversário – PREPARE-SE”, disponível pela editora AGE (www.editoraage.com.br).


ULTIMA DICA: Divulgue este texto aos seus amigos (vale tudo, o blog da titia, o orkut do cunhado, o MSN do vizinho, o importante é espalhar cada texto como sementes ao vento). Mas, caso não goste, tenha o prazer de divulgá-lo aos seus inimigos (entenda-se como inimigo, todo e qualquer desafeto ou chato que por ventura faça parte de um pedaço de sua vida ou tente fazer sua vida em pedaços).