A REVOLTA DOS CÃES
Carlos Roberto de Souza
Moro em uma rua cujo nome é
“Andorinhas”. Até aí nada demais. Entretanto, o problema não são as andorinhas
(que nem dão suas caras por aqui), e sim uma manifestação canina que vem
crescendo a cada dia.
Eles latem com todos os pulmões, dividem
as pulgas e não os pães, correm atrás de desavisados e mordem seus calcanhares só
para “aporrinhar”. E para fechar a fatura: defecam em quase toda a extensão.
Creio que nem todas as andorinhas reunidas in loco seriam capazes de produzir tanto
dejeto!
Alguns deles foram gentilmente trazidos
pelos moradores, porém os próprios jogaram a tolha no mesmo dia, ou seja,
deixaram os caninos à mercê do seu instinto de sobrevivência. É mole!?
Os cães de hoje são espertos, e já formaram
até sindicatos.

Você duvida? Então chute algum pela frente
ou jogue uma pedra para ele se afastar, é bem provável que um bando surja e ponha
você pra correr; e ai daquele que comprar a briga!
Quando se caminha por esta rua não dá
pra saber o que é asfalto ou buraco... Tudo foi tomado pelas fezes. Nessa hora
você não acha o dono da arte e muito menos a cara do “patrão”, já que o quadro
revela que os cães começaram uma revolução.
O grito de guerra!? Ora não poderia ser
outro senão: “Daqui não saio, daqui ninguém me tira” (olha a marchinha gente!).
De vez em quando eu vejo o meu cachorro
da raça Pinscher cochichando com um desses comparsas junto ao portão. Humm! Sei
não, mas acho que o meu cachorro está me traindo...
Vou ter que pisar em ovos daqui pra
frente. Enfrentar esse baixinho é moleza, mas um bando de “tomba latas”
revoltados “é osso”.
*Poeta,
editor e membro da Academia Machadense de Letras
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