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terça-feira, 14 de outubro de 2014

DIA DO PROFESSOR



*Olga Caixeta Vilela

Com a “Declaração dos Direitos Humanos”, que data de 1789, cuja tarefa era emancipar o mundo do feudalismo e dos privilégios da monarquia, ficou estabelecido que “ a finalidade de toda associação política é a preservação dos direitos naturais e imprescritíveis do homem. Esses direitos são a liberdade, a prosperidade, a segurança e a resistência à opressão.”
É bem bonito! Esse parágrafo e muitos outros, também bonitos, nos tem sido ditos diariamente por todos os meios de comunicação e é também o que todos nós, professores, dizemos diariamente nas salas de aula, dentro de todas as escolas do país, o nosso Brasil brasileiro. Não há dúvida de que, sendo real, estaríamos quase no paraíso, só  faltando mesmo as macieiras, representativas da também bonita história da criação, por terras em que elas rejeitam nascer.
Num país assim, de tantas maçãs, não haveria o problema do petróleo, pois o homem estaria mais interessado em repartir maçãs que furar a terra. Num país assim, maçãs vermelhas à mão, não haveria o problema de “mensalões”, pois o homem não iria comercializar maçãs, mas saboreá-las ao lado de belas musas, bênçãos de todos os deuses, em festas iguais à da Ilha dos Amores. Num país assim, pois é... mas não é.
Estamos querendo falar de professores: afinal, o que são os professores num país assim como o nosso?
Não vou repetir palavras dos grandes sábios e educadores que dizem ser os professores a figura mais importante na vida de uma criança, aquele que ajuda a transformar a alma, aquele que está sempre presente.
Não vou dizer que ser professor é ser transmissor de verdades, pois  verdade é palavra de todos.
Não vou dizer que ser professor é ser cultivador do amor, pois o amor é a mola-mestra do mundo e deve estar impregnando todas as vidas.
Não vou dizer que ser professor é ser cultivador de seres, pois, desde o nascimento, qualquer ser só cresce apropriadamente com um grande cultivo através de mãos afortunadas.
Não vou dizer que ser professor é ser armazenador de conhecimentos, pois, conhecimento é algo que todo homem nascido e crescido pode ter por suas próprias mãos, uma vez que a palavra é dom de todos e está solta no ar.
Não vou dizer que ser professor é ser possuidor de potencialidades, pois, encontramos ao longo do tempo, crianças potenciais em saber, em querer, em fazer e manifestar-se.
Não vou dizer que ser professor é possuir uma força maior, guerreira, capaz de lutar para ver brotar o saber do outro, pois a realidade que se apropria de nós é bem outra: professores se escondendo atrás de muros para fugir aos perigos da nova era.
Não vou dizer que ser professor é ser alguém de incalculável sabedoria, pois, todos aqueles que têm sabedoria incalculável são prestigiados, recebem por seus méritos e não precisam fazer greve para receber 3% de aumento salarial.
Não vou dizer ainda que ser professor é ser aquele que guarda no coração os valores essenciais, pois guardar emoção significa pouco perto de toda necessidade que o professor-homem-mulher precisa para sobreviver e se afinar com a história nesse momento da história.
Não vou dizer que ser professor é ser aquele que não apenas ensina regras, mas aquele que desperta o aluno para aventura da vida, pois aventura nos dias de hoje tem um significado bem diferente: aventurar-se hoje é sair à noite para a escola e voltar para casa sem os arranhões de todas as cercas.
Desde o final do século XVIII que estamos querendo fazer crer na benignidade dos “direitos humanos”, mas não conseguimos soletrar com firmeza todas as letras de todos os seus parágrafos. Eu sou professora e me orgulho da profissão que escolhi.
Não porque dizem que ela é bonita ou venturosa, mas porque ela existe em mim e é assim que penso deve ser vista a figura do professor: Ele por ele mesmo. Esperar que os nossos direitos sejam ouvidos ou infectados de amor por alguém retira-lhe o sabor da vocação; retira-lhe a beleza da afirmação que ensina a oferecer sem receber em troca.
Esperar que os nossos direitos sejam inseridos no rol dos valores humanos é esperar muito de quem se apropria do poder para alegrar a vida ou fazer inveja aos seus opositores: eles ainda não cortaram o cordão umbilical, estão presos à vida e não enxergam sua incontinência.
O 15 de outubro é um dia em que os professores ficam fora da escola e recebem mensagens dos seus diretores, mas é só isso. Um dia como outro qualquer em que paramos para não pensar em mais nada. Temos um dia!
Que cada professor(a) receba este seu dia a sua maneira e não se esqueça de cantar um pouco “caminhando e cantando e seguindo a canção / somos todos iguais braços dados ou não... mas cantamos e somos felizes.
Parabéns a você, a mim e a todos nós que esperamos o sol brilhar com mais força todos os dias!

*Professora de Língua Portuguesa e Literatura. Membro da Academia Machadense de Letras.

FOTO: http://sjvnoticias.com/sala-de-aula-ontem-e-hoje/

Um comentário:

António Jesus Batalha disse...

Ao passar pela net afim de encontrar novos amigos e divulgar o meu blog, me deparei com o seu que muito admiro e lhe dou os parabéns, pois é daqueles blogs que gostaria que fizesse parte de meus amigos virtuais.
Se desejar visite o Peregrino E Servo. Leia alguma coisa e se gostar siga, Saiba porém que sempre vou retribuir seguindo também o seu blog.
Minhas cordiais saudações, e um obrigado.
António Batalha.
http://peregrinoeservoantoniobatalha.blogspot.pt/